sábado, 27 de março de 2010
Mágramática
Mágramática
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a frase, nem a crase
Nem a vírgula e ponto final
Afinal, a má gramática da vida
Nos põe entre pausas
Entre vírgulas
E estar entre vírgulas
Pode ser aposto
E eu aposto o oposto
Que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua visão
Sua pressa e sua prece
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para a nossa oração
Adjuntos ou separados
Nominais ou não
Façamos parte do contexto
Sejamos todas as capas de edição especial
Mas, porém, contudo, todavia
Sejamos também a contracapa
Porque ser a capa e ser contracapa
É a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar-se a si mesmo
É muitas vezes encontrar-se com Deus
Com o teu Deus
Senhoras e Senhores
Que nesse momento em que cada um se encontra agora
Um possa se encontrar ao outro
E o outro no um
Até por que
Tem horas que a gente se pergunta...
Porque é que não se junta tudo numa coisa só?
TP 2
As oficinas 3 e 4 do TP2 foram desenvolvidas nos dias 9 de dezembro (tarde) e 21 de dezembro, respectivamente, tratando do tema Análise linguística e análise literária.
A oficina 3 foi proveitosa no sentido de discutir sobre os vários tipos de gramática e a sua participação no ensino da língua. A partir das atividades desenvolvidas e relatadas pelas professoras cursistas, ampliamos o diálogo sobre a gramática normativa, descritiva e interna, a partir de conceitos do autor Luís Travaglia. Sobre a gramática descritiva, conversamos sobre a alternativa de um estudo produtivo a partir da técnica do estudo dirigido, incentivando a reflexão sobre os fenômenos gramaticais.
Finalizando as atividades do Programa Gestar II, a oficina 4 foi importante para ampliar o trabalho com a língua para além dos códigos escritos. a arte pode ser vista como releitura da realidade e um importante instrumento quando se quer traablhar a expressividade da língua.
Resta o questionamento sobre as vias de acesso que professores e alunos têm à arte e a intendidade desse convívio. Sem dúvida é importante que todos possam usufruir das mais diversas manifestações culturais.
A oficina 3 foi proveitosa no sentido de discutir sobre os vários tipos de gramática e a sua participação no ensino da língua. A partir das atividades desenvolvidas e relatadas pelas professoras cursistas, ampliamos o diálogo sobre a gramática normativa, descritiva e interna, a partir de conceitos do autor Luís Travaglia. Sobre a gramática descritiva, conversamos sobre a alternativa de um estudo produtivo a partir da técnica do estudo dirigido, incentivando a reflexão sobre os fenômenos gramaticais.
Finalizando as atividades do Programa Gestar II, a oficina 4 foi importante para ampliar o trabalho com a língua para além dos códigos escritos. a arte pode ser vista como releitura da realidade e um importante instrumento quando se quer traablhar a expressividade da língua.
Resta o questionamento sobre as vias de acesso que professores e alunos têm à arte e a intendidade desse convívio. Sem dúvida é importante que todos possam usufruir das mais diversas manifestações culturais.
Uma experiência intertextual: FITA VERDE NO CABELO
Fita Verde no Cabelo (nova velha história)
Guimarães Rosa
Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita - Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar fambroesas.
Daí, que, indo no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido, nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então ela, mesma, era quem dizia: "Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou". A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto passa por elas passa. Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
- "Quem é?"
- "Sou eu..." - e Fita Verde descansou a voz. - "Sou sua linda netinha, com cesto e com pote, com a Fita Verde no cabelo, que a mamãe me mandou."
Vai, a avó difícil, disse: - "Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus a abençoe."
Fita Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar apagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: - "Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo."
Mas agora Fita Vede se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
- "Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!"
- "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...." - a avó murmurou.
- "Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados".
- "É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta..." - a avó suspirou.
- "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"
- "É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha...." - a avó ainda gemeu.
Fita Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!..."
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita - Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar fambroesas.
Daí, que, indo no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido, nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então ela, mesma, era quem dizia: "Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou". A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto passa por elas passa. Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
- "Quem é?"
- "Sou eu..." - e Fita Verde descansou a voz. - "Sou sua linda netinha, com cesto e com pote, com a Fita Verde no cabelo, que a mamãe me mandou."
Vai, a avó difícil, disse: - "Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus a abençoe."
Fita Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar apagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: - "Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo."
Mas agora Fita Vede se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
- "Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!"
- "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...." - a avó murmurou.
- "Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados".
- "É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta..." - a avó suspirou.
- "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"
- "É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha...." - a avó ainda gemeu.
Fita Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!..."
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.
TP 1
Nos dias 13 de novembro e 9 de dezembro de 2009 foram desenvolvidas as oficinas 1 e 2, correspondentes ao TP1, que trata de Linguagem e Cultura.
Nas unidades correspondentes à primeira oficina, é marcante a relação evidenciada entre o meio e a linguagem. O homem é intensamente influenciado pelo ambiente em que vive e não é diferente com a língua. Assim, distinguimos, por exemplo, as manifestações culturais gaúchas das paraibanas e das amazonenses.
Todas essas variações culturais tornam o Brasil u país pluricultural e com uma identidade multifacetada. Com a língua pátrica não é diferente: cada região tem seu linguajar que lhe é peculiar. E ainda dentro da mesma região, há uma diversidade que se deve, entre outros fatores, às direfenças sociais.
Constitui desafio de quem ensina a língua lutar contra o preconceito linguístico que se instaura normalmente ocntra quem provém de uma classe social inferior. Esse trabalho, na realidade, vai além: deve-se ter a sensibilidade de reconstruir os sentidos de um texto tendo como pressuposto o contexto de produção e a situação social e cultural de seu autor.
Na oficina 2, após essa ampla discussão, intensificou-se o depbate sobre intertextualidade. Iniciei o trabalho apresentando uma projeção da tela A Monalisa e, a seguir, várias imitações dela; assim, introduzimos o conceito desse fenômeno. Após, trabalhamos com textos de Drummond e de João Cabral de Melo Neto, referentes ao tema. Os professores relataram várias experiêncais de sucesso que tiveram em outros momentos ao trabalhar com o tema.
Nas unidades correspondentes à primeira oficina, é marcante a relação evidenciada entre o meio e a linguagem. O homem é intensamente influenciado pelo ambiente em que vive e não é diferente com a língua. Assim, distinguimos, por exemplo, as manifestações culturais gaúchas das paraibanas e das amazonenses.
Todas essas variações culturais tornam o Brasil u país pluricultural e com uma identidade multifacetada. Com a língua pátrica não é diferente: cada região tem seu linguajar que lhe é peculiar. E ainda dentro da mesma região, há uma diversidade que se deve, entre outros fatores, às direfenças sociais.
Constitui desafio de quem ensina a língua lutar contra o preconceito linguístico que se instaura normalmente ocntra quem provém de uma classe social inferior. Esse trabalho, na realidade, vai além: deve-se ter a sensibilidade de reconstruir os sentidos de um texto tendo como pressuposto o contexto de produção e a situação social e cultural de seu autor.
Na oficina 2, após essa ampla discussão, intensificou-se o depbate sobre intertextualidade. Iniciei o trabalho apresentando uma projeção da tela A Monalisa e, a seguir, várias imitações dela; assim, introduzimos o conceito desse fenômeno. Após, trabalhamos com textos de Drummond e de João Cabral de Melo Neto, referentes ao tema. Os professores relataram várias experiêncais de sucesso que tiveram em outros momentos ao trabalhar com o tema.
TP 6
Nos dias 14 e 27 de outubro de 2009 foram realizadas, respectivamente, as oficinas 11 e 12, correspondentes ao TP6. Leitura e Processos de Escrita II. No primeiro encontro, no decorrer das atividades, foi possível perceber a angústia dos professores em relação ao desenvolvimento do tema nas produções textuais dos seus alunos.
Quando discutíamos a unidade 21, que trata de argumentação e linguagem, pude ouvir o que é a queixa da maioria dos professores, não só os de íngua Portuguesa: a dificuldade dos discentes de organizar o seu pensamento e de expressa-lo com clareza.
Começamos, então, a problematizar sobre as possíveis origens desse problema e passamos a nos perguntar sobre que preparação prévia à produção textual oferecemos. Assim, pudemos conversar sobre as várias fases da produção, desde o planejamento até a escrita, reconhecendo a importância de cada uma, pois não se pode dar absoluta relevânis unicamente para o momento da escrita em si, mas também a toda sua preparação, ajudando os alunos a formarem sua opinião, organizar suas ideias e expressá-las com clareza através da escrita.
Nesse dia, no período da tarde, realizamos uma oficina aberta, através da técnica do Júri Simulado, ficando como sugestão de atividade de preparação para a escrita de textos.
No encontro seguinte, em 27 de outubro, foi dado prosseguimento ao tema, através do estudo sobre revisão e edição textual: que importância tem revisar o texto do aluno? De que forma posso corrigir textos de turmas com alto número de alunos? Assim, buscamos alternativas para dar conta desta importante fase da produção. Mais importante que uma simples correção superficial da escrita, é levar os alunos à prática da releitura crítica e de afastamento do seu próprio texto.
O tema final do TP6 foi Literatura para Adolescentes, quando discutimos sobre o trabalho com clássicos. Restou a pergunta: é conveniente apresentar clássicos aos adolescentes? Grande parte dos colegas concorda que o que importa não é a discussão sobre a escolha entre clássicos ou outro tipo de literatura juvenil, mas o fato de proporcionar boa literatura, de interesse para esse público.
O público adolescente necessita desenvolver a capacidade de fruição literária, de apreciar uma obra não só literária, mas de arte em geral; precisa saebr olhar uma tela e apreciá-la; distinguir uma música com conteúdo de outra que não oferece relevantes possibilidades de fruição estética.
O aluno precisa ver no seu professor um leitor; precisa sentir e perceber que aquele que insiste na importância de ler também pratica esse ato por hábito e por prazer. Leitura por obrigação não torna o educando um leitor; é preciso - sim - que ele veja a leitura com horizontes mais amplos do que uma simples prestação de contar ao professor.
Quando discutíamos a unidade 21, que trata de argumentação e linguagem, pude ouvir o que é a queixa da maioria dos professores, não só os de íngua Portuguesa: a dificuldade dos discentes de organizar o seu pensamento e de expressa-lo com clareza.
Começamos, então, a problematizar sobre as possíveis origens desse problema e passamos a nos perguntar sobre que preparação prévia à produção textual oferecemos. Assim, pudemos conversar sobre as várias fases da produção, desde o planejamento até a escrita, reconhecendo a importância de cada uma, pois não se pode dar absoluta relevânis unicamente para o momento da escrita em si, mas também a toda sua preparação, ajudando os alunos a formarem sua opinião, organizar suas ideias e expressá-las com clareza através da escrita.
Nesse dia, no período da tarde, realizamos uma oficina aberta, através da técnica do Júri Simulado, ficando como sugestão de atividade de preparação para a escrita de textos.
No encontro seguinte, em 27 de outubro, foi dado prosseguimento ao tema, através do estudo sobre revisão e edição textual: que importância tem revisar o texto do aluno? De que forma posso corrigir textos de turmas com alto número de alunos? Assim, buscamos alternativas para dar conta desta importante fase da produção. Mais importante que uma simples correção superficial da escrita, é levar os alunos à prática da releitura crítica e de afastamento do seu próprio texto.
O tema final do TP6 foi Literatura para Adolescentes, quando discutimos sobre o trabalho com clássicos. Restou a pergunta: é conveniente apresentar clássicos aos adolescentes? Grande parte dos colegas concorda que o que importa não é a discussão sobre a escolha entre clássicos ou outro tipo de literatura juvenil, mas o fato de proporcionar boa literatura, de interesse para esse público.
O público adolescente necessita desenvolver a capacidade de fruição literária, de apreciar uma obra não só literária, mas de arte em geral; precisa saebr olhar uma tela e apreciá-la; distinguir uma música com conteúdo de outra que não oferece relevantes possibilidades de fruição estética.
O aluno precisa ver no seu professor um leitor; precisa sentir e perceber que aquele que insiste na importância de ler também pratica esse ato por hábito e por prazer. Leitura por obrigação não torna o educando um leitor; é preciso - sim - que ele veja a leitura com horizontes mais amplos do que uma simples prestação de contar ao professor.
terça-feira, 23 de março de 2010
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